top of page

Happy hour – poesia



Roy Lichtenstein ©


Happy hour


Se te falo de uma nudez tácita

e esquisita

mergulho em copos

e doses de cachaça

é porque minha língua

saliva seus poros

de água fresca

seus óculos metálicos

sobre minha cama

como tudo que se quebra

de forma leviana

meu corpo te diz

feche os olhos

e as persianas

vamos dormir até tarde

até que o sol nos mate

pois na verdade

não tenho cortinas

e o bar da esquina

não existe há muito tempo

mas seus óculos ficaram

em cima da mesa

e não sei como você saiu

sem enxergar, sem lembrar

que você ficou

e eu te falei

muitas coisas esquisitas

naquela mesa de bar.




Píer


Fim de tarde

insones taças

mãos de ganache 

um pássaro passa

depois outro

o som da água

da luz, um pouco

se derrama

pela grama

ainda

piquenique

e o dia finda

a noite nasce

tudo que é corpo

cansaço e deságue

pés no ar

do píer, álcool

a lua sabe

do tempo, memoriar

pois amanhã

em cobertores amassados

ninguém vai se lembrar

muito bem

do que fez no sábado.







Thainá Carvalho é sergipana, escritora e colagista. Autora dos livros As coisas andam meio desalmadas e O Amor em breve anatomia das horas, ambos lançados pela editora Penalux. É criadora e editora da Revista Desvario.





15 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Comments


Post: Blog2_Post
bottom of page