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Escritoras silenciadas, de Anna Faedrich + O ar de uma teimosia, de Ana Elisa Ribeiro
Editado em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional, Escritoras silenciadas é fruto da pesquisa da professora e pesquisadora, Anna Faedrich, sobre as escritoras Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida e Albertina Bertha.
Apontando a necessidade de reescrevermos a História da Literatura Brasileira (que, na verdade, são várias histórias), repensando a construção de um cânone literário majoritariamente masculino, Anna Faedrich explora a vida e a obra dessas três escritoras, mostrando como foram figuras importantes em sua época (na passagem do século XIX para o XX), e que, mesmo assim, sofreram com o apagamento sistemático de suas obras.
A partir de pesquisa em jornais e revistas, as histórias de Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida e Albertina Bertha são resgatadas, confirmando como essas três mulheres foram participativas no meio literário e eram importantes nomes da literatura brasileira.
Por que, então, a memória e a literatura dessas escritoras não foram narradas ao longo de nossa história literária? Essa é uma das perguntas que Anna faz, ao passo que reconstrói o arquivo dessas escritoras, passando por notícias em jornais e revistas, e interpretando criticamente seus textos.
O livro Escritoras silenciadas - Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres também conta com um CADERNO DE ANEXO, editado separadamente, que reúne entrevistas, fotos, recortes de jornais e transcrições.
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O ar de uma teimosia: trilhas da publicação em Clarice Lispector, Lúcia Machado de Almeida e Henriqueta Lisboa, de Ana Elisa Ribeiro, com posfácio de Constância Lima Duarte.
Teimosia, paciência, persistência... palavras empregadas por três escritoras do século xx para se referirem às dificuldades e possibilidades – escassas – de terem seus escritos publicados por editoras nacionais. Clarice Lispector, em dado momento, depois de se exasperar à espera da publicação de um de seus livros, fala na “malcriação” de se autopublicar, pagando a edição. Henriqueta Lisboa, a um só tempo irônica e elegante, diz que a publicação, em especial da poesia, é um “exerciciozinho de paciência”.
Nesta obra, Ana Elisa Ribeiro investiga, sob o olhar dos estudos da edição, as redes intelectuais que as escritoras brasileiras Clarice Lispector, Lúcia Machado de Almeida e Henriqueta Lisboa acionavam para dar existência a seus livros. São de interesse também os fluxos editoriais e os mecanismos de legitimação, circulação e resguardo da produção literária dessas mulheres. Orientada por uma práxis feminista consciente e por meio do exame da correspondência ativa e passiva, inédita ou não, das escritoras, a pesquisadora desvela vivências, persistências e manobras dessas autoras – brancas e socialmente privilegiadas – publicadas no século XX, instigando-nos a refletir sobre a violência simbólica que enfrentavam, e que se mantém, sustentada por agentes e discursos para os quais, a despeito de uma pretensa neutralidade, a medida de tudo é masculina. Se “a escritora do século XXI é outra, mas ainda é a mesma”, a análise das condições às quais estavam submetidas suas antecessoras transforma-se numa potente ferramenta de oposição ao poder instituído, possibilitando uma compreensão mais abrangente dos mecanismos que fazem das mulheres que escrevem sujeitos inenarrados ou, na melhor das hipóteses, subnarrados.
